Artrópodes como bioindicadores e produção de massa foliar utilizando-se plantas de Sapindus saponaria e Terminalia argentea no processo de recuperação de área degradada
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UFVJM
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A degradação de ecossistemas é uma das principais ameaças à biodiversidade global, tornando a recuperação de áreas degradadas uma prioridade. O êxito desses esforços, especialmente em biomas desafiadores como o Cerrado, depende do restabelecimento da cobertura vegetal, da recomposição de suas funções e interações ecológicas. Nesse contexto, a seleção de espécies-chave e o monitoramento de indicadores biológicos, como as comunidades de artrópodes, são fundamentais para aferir a recuperação funcional. Esta tese teve como objetivo geral avaliar o processo de recuperação de uma área degradada no Cerrado, investigando de forma comparativa como duas espécies arbóreas com estratégias ecológicas distintas, a pioneira Terminalia argentea e a clímax Sapindus saponaria, modulam a produção de biomassa e estruturam as comunidades de artrópodes associadas durante a fase crítica de estabelecimento (dois anos). O plantio foi realizado em uma área degradada em Montes Claros, MG, com adubação de lodo de esgoto para potencializar o estabelecimento das mudas. Foram monitorados mensalmente a produção de biomassa vegetal (folhas e galhos) e quinzenalmente as comunidades de artrópodes (insetos e aranhas), analisando seus índices ecológicos (abundância, riqueza, diversidade) e interações tróficas. Os resultados revelaram estratégias de alocação de recursos marcadamente distintas e complementares. S. saponaria apresentou um aumento contínuo na produção de biomassa no segundo ano, confirmando um padrão de crescimento e acúmulo de recursos. Em contrapartida, T. argentea exibiu uma redução no número de folhas por galho, indicando uma estratégia alocação de recursos voltada ao rápido crescimento vertical em detrimento da manutenção foliar, um ajuste fisiológico característico de sua função sucessional. Para ambas as espécies, o primeiro ano após o plantio foi caracterizado por uma maior abundância e riqueza de herbívoros (ex.: minas de Liriomyza sp. e insetos mastigadores) e seus inimigos naturais (ex.: Oxyopidae), um processo impulsionado pela fertilização inicial com lodo de esgoto e pela provável menor concentração de defesas químicas nas plantas jovens. A Teoria da Biogeografia de Ilhas foi corroborada em ambos os estudos, onde plantas com maior biomassa e complexidade estrutural sustentaram comunidades de artrópodes mais ricas e diversas. As análises também confirmaram a ocorrência de complexas redes de interações, como o mutualismo entre formigas (ex.: Pheidole sp.) e hemípteros sugadores de seiva, que resultou na supressão de outros herbívoros, e a forte correlação entre a abundância de predadores e suas presas, evidenciando a rápida estruturação de cascatas tróficas e a atuação simultânea de controles bottom-up (recursos vegetais) e top-down (predação e mutualismo). Em síntese, este trabalho demonstra que espécies com diferentes estratégias de vida impulsionam a restauração funcional por vias distintas e que o monitoramento da comunidade de artrópodes é uma ferramenta eficaz para diagnosticar a saúde e a complexidade funcional de ecossistemas em recuperação.
Description
Textos da obra em outro idioma: (Inglês) p. 27-78.
Citation
MOTA, Marcos Vinicius Souza. Artrópodes como bioindicadores e produção de massa foliar utilizando-se plantas de Sapindus saponaria e Terminalia argentea no processo de recuperação de área degradada. 2025. 80 p. Tese (Doutorado em Produção Vegetal) – Programa de Pós-Graduação em Produção Vegetal, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Diamantina, 2025.
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