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Recent Submissions

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Mecanismos químicos e moleculares de resistência de Eucalyptus a insetos-pragas: óleos essenciais, expressão gênica e estratégias sustentáveis de manejo
(UFVJM, 2025) Santos, Jéssica Naiara dos; Laia, Marcelo Luiz de; Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM); Laia, Marcelo Luiz de; Santos, José Barbosa dos; Fernandes Gonçalves de Laia, Janaína; Assis Júnior, Sebastião Lourenço de; Gatti, Kellen Cristina
O eucalipto, conhecido pelo rápido crescimento e alta produtividade de biomassa, é uma alternativa promissora para a geração de energia renovável. No entanto, sua suscetibilidade a insetos-praga, como Thaumastocoris peregrinus e Leptocybe invasa, demanda estratégias de manejo mais sustentáveis. Diante desse cenário, o estudo integrou abordagens químicas e moleculares para elucidar os mecanismos de resistência de genótipos de Eucalyptus a insetos-praga. Investigou-se a composição dos óleos essenciais frente a T. peregrinus e L. invasa e as respostas fisiológicas e moleculares dos clones ao ataque de T. peregrinus. A caracterização química foi conduzida por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas (GC/MS). Bioensaios de fezes e sobrevivência definiram as categorias fenotípicas frente à resistência percevejo bronzeado. Na etapa molecular, a técnica de RT-qPCR foi empregada em clones com diferentes níveis de resistência a T. peregrinus com o objetivo de avaliar a expressão gênica diferencial. Previamente, procedeu-se à seleção dos genes de referência mais estáveis, utilizados para a normalização dos dados de expressão. Foram identificados 92 compostos nos óleos essenciais, alguns associados a diferentes níveis de resistência aos dois insetos. Os genes SAND e EUCONS04 foram usados como genes de referências. Os genes CIPK, MYB, PAE2 e DREB2C apresentaram expressão contrastante entre clones resistentes e suscetíveis, sugerindo participação na defesa ao T. peregrinus. Os resultados destacam os óleos essenciais como marcadores químicos de resistência em Eucalyptus e evidenciam o papel de genes reguladores na adaptação molecular da espécie ao ataque de pragas, fornecendo subsídios valiosos para programas de melhoramento genético e manejo florestal sustentável.
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Uso de Urochloa brizantha e Megathyrsus maximus em solos do cerrado contaminados por níquel
(UFVJM, 2025) Santos, Ângela Aparecida; Silva, Enilson de Barros; Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM); Silva, Enilson de Barros; Cruz, Maria do Céu Monteiro da; Farnezi, Múcio Mágno de Melo; Vilas Boas da Silva, Tiago
O níquel (Ni), embora seja um micronutriente essencial para algumas funções metabólicas nas plantas, pode apresentar elevada fitotoxicidade quando presente em concentrações excessivas no solo, afetando negativamente diversos processos fisiológicos e bioquímicos. Este estudo teve como objetivo avaliar os efeitos da contaminação por Ni sobre a fluorescência da clorofila, os conteúdos de pigmentos fotossintéticos, produção de biomassa e fitoextração de Ni de duas gramíneas forrageiras amplamente utilizadas em pastagens tropicais: Urochloa brizantha e Megathyrsus maximus. As espécies foram cultivadas em dois solos de diferentes classes e texturas, o NEOSSOLO QUARTZARÊNICO Órtico típico (RQo), de textura arenosa, e o LATOSSOLO VERMELHO Distrófico típico (LVd), de textura argilosa contaminados com cinco níveis de Ni (0, 15, 30, 70 e 130 mg kg-¹). O delineamento experimental foi em blocos casualizados, com esquema fatorial 2 x 5 com seis repetições. Os resultados indicaram que a presença de Ni nos solos promoveu alterações significativas nos parâmetros fisiológicos e de crescimento das gramíneas avaliadas. A fluorescência da clorofila foi afetada negativamente pelos níveis mais elevados de Ni, especialmente no solo RQo, sugerindo comprometimento da eficiência do fotossistema II e ativação de mecanismos de tolerância ao estresse. Da mesma forma, os teores de pigmentos fotossintéticos, como clorofila a, clorofila b e carotenoides apresentaram redução em função da elevação dos níveis de contaminação de Ni, o que reflete diretamente na capacidade fotossintética das plantas. A produção de massa seca foi reduzida com o aumento da contaminação, sendo que a parte aérea foi mais impactada do que o sistema radicular, com diferenças mais expressivas observadas no solo RQo, de menor capacidade de retenção de Ni. Ambas as gramíneas apresentaram elevada capacidade de translocação e acúmulo de Ni na parte aérea, com concentrações superiores a 25 mg kg-¹, o que as caracteriza como plantas acumuladoras. A análise do fator de bioconcentração reforça essa capacidade fitoextratora, evidenciando o potencial dessas espécies para aplicação em estratégias de fitorremediação, particularmente por fitoextração, em áreas contaminadas por Ni. Apesar da redução na biomassa, U. brizantha e M. maximus demonstraram respostas fisiológicas que indicam mecanismos de tolerância ao estresse induzido por Ni. Dessa forma, os dados obtidos apontam que a fluorescência da clorofila, os conteúdos de pigmentos fotossintéticos e a produção de biomassa são parâmetros sensíveis e eficientes na detecção de estresse por Ni. As duas espécies avaliadas apresentam potencial para o uso em programas de recuperação de áreas degradadas por contaminação com Ni, sobretudo em solos arenosos, onde os efeitos fitotóxicos são mais intensos, mas a disponibilidade do Ni favorece a fitoextração.
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Internacionalização na/da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri: políticas, estratégias e desafios (2006-2022)
(UFVJM, 2025) Santos, Ronie César; Thiengo, Lara Carlette; Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM); Thiengo, Lara Carlette; Mari, Cézar Luiz de; Neves, Leonardo dos Santos
Esta dissertação analisa o processo de internacionalização na/da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) entre os anos de 2006 e 2022, período que abrange desde a criação da Diretoria de Relações Internacionais (DRI) até o momento de conclusão dos relatórios da última gestão da instituição. O estudo busca compreender como esse fenômeno, fortemente impulsionado por diretrizes globais e nacionais, é ressignificado em uma universidade pública jovem, interiorizada e com forte vocação regional. A pesquisa, de natureza qualitativa e caráter exploratório, fundamenta-se em análise documental, entrevistas semiestruturadas com ex-dirigentes da DRI e levantamento de dados institucionais referentes a programas de mobilidade acadêmica, aos Planos de Desenvolvimento Institucionais, à Política de Internacionalização e à Política Linguística. A discussão teórica situa-se no campo da internacionalização da educação superior, dialogando com autores como Knight (2004), Morosini (2017), Leal (2020) e De Wit et al. (2015), e considera a internacionalização como processo intencional, contextual e socialmente situado. Os resultados evidenciam que, embora o movimento de internacionalização tenha sido incorporado como princípio estratégico pela UFVJM, sua implementação tem se mostrado incipiente, fragmentada e marcada por descontinuidades administrativas. As ações realizadas concentraram-se, sobretudo, em programas de mobilidade e ensino de idiomas, revelando um processo mais operacional do que político, condicionado por limitações estruturais, recursos humanos escassos e ausência de uma política institucional de longo prazo. Ainda assim, o estudo demonstra que a internacionalização produziu efeitos simbólicos e institucionais relevantes, ampliando o reconhecimento da UFVJM no cenário acadêmico nacional e internacional e contribuindo para o fortalecimento de uma cultura de cooperação interinstitucional. O trabalho conclui que a internacionalização em universidades jovens do interior brasileiro precisa ser repensada a partir de uma perspectiva crítica e contextualizada, que articule o global e o local e promova ações de internacionalização socialmente significativas, inclusivas e alinhadas às demandas regionais. Como produto técnico-educacional, a pesquisa apresenta um Relatório Diagnóstico de Internacionalização com recomendações para o planejamento estratégico da UFVJM, propondo diretrizes para uma política institucional sustentável e integrada. O estudo, portanto, contribui não apenas para o campo da educação superior, mas também para a reflexão sobre os sentidos e desafios da internacionalização nas universidades do Sul Global.
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Artrópodes como bioindicadores e produção de massa foliar utilizando-se plantas de Sapindus saponaria e Terminalia argentea no processo de recuperação de área degradada
(UFVJM, 2025) Mota, Marcos Vinicius Souza; Demolin Leite, Germano Leão; Soares, Marcus Alvarenga; Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM); Demolin Leite, Germano Leão; Barbosa, Flávia Silva; Sanglard, Demerson Arruda; Soares, Marcus Alvarenga
A degradação de ecossistemas é uma das principais ameaças à biodiversidade global, tornando a recuperação de áreas degradadas uma prioridade. O êxito desses esforços, especialmente em biomas desafiadores como o Cerrado, depende do restabelecimento da cobertura vegetal, da recomposição de suas funções e interações ecológicas. Nesse contexto, a seleção de espécies-chave e o monitoramento de indicadores biológicos, como as comunidades de artrópodes, são fundamentais para aferir a recuperação funcional. Esta tese teve como objetivo geral avaliar o processo de recuperação de uma área degradada no Cerrado, investigando de forma comparativa como duas espécies arbóreas com estratégias ecológicas distintas, a pioneira Terminalia argentea e a clímax Sapindus saponaria, modulam a produção de biomassa e estruturam as comunidades de artrópodes associadas durante a fase crítica de estabelecimento (dois anos). O plantio foi realizado em uma área degradada em Montes Claros, MG, com adubação de lodo de esgoto para potencializar o estabelecimento das mudas. Foram monitorados mensalmente a produção de biomassa vegetal (folhas e galhos) e quinzenalmente as comunidades de artrópodes (insetos e aranhas), analisando seus índices ecológicos (abundância, riqueza, diversidade) e interações tróficas. Os resultados revelaram estratégias de alocação de recursos marcadamente distintas e complementares. S. saponaria apresentou um aumento contínuo na produção de biomassa no segundo ano, confirmando um padrão de crescimento e acúmulo de recursos. Em contrapartida, T. argentea exibiu uma redução no número de folhas por galho, indicando uma estratégia alocação de recursos voltada ao rápido crescimento vertical em detrimento da manutenção foliar, um ajuste fisiológico característico de sua função sucessional. Para ambas as espécies, o primeiro ano após o plantio foi caracterizado por uma maior abundância e riqueza de herbívoros (ex.: minas de Liriomyza sp. e insetos mastigadores) e seus inimigos naturais (ex.: Oxyopidae), um processo impulsionado pela fertilização inicial com lodo de esgoto e pela provável menor concentração de defesas químicas nas plantas jovens. A Teoria da Biogeografia de Ilhas foi corroborada em ambos os estudos, onde plantas com maior biomassa e complexidade estrutural sustentaram comunidades de artrópodes mais ricas e diversas. As análises também confirmaram a ocorrência de complexas redes de interações, como o mutualismo entre formigas (ex.: Pheidole sp.) e hemípteros sugadores de seiva, que resultou na supressão de outros herbívoros, e a forte correlação entre a abundância de predadores e suas presas, evidenciando a rápida estruturação de cascatas tróficas e a atuação simultânea de controles bottom-up (recursos vegetais) e top-down (predação e mutualismo). Em síntese, este trabalho demonstra que espécies com diferentes estratégias de vida impulsionam a restauração funcional por vias distintas e que o monitoramento da comunidade de artrópodes é uma ferramenta eficaz para diagnosticar a saúde e a complexidade funcional de ecossistemas em recuperação.
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Vozes caladas, vidas marcadas: um estudo sobre a violência contra meninas no meio rural da Comarca de Arinos - MG
(UFVJM, 2025) Santana, Deuseni Aparecida Alves da Costa; Redin, Ezequiel; Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM); Redin, Ezequiel; Lima, Josélia Barroso Queiroz; Botelho, Luana da Silva; Oliveira Filho, Elias Rodrigues de
A pesquisa teve como objetivo investigar a violência contra meninas de 0 a 18 anos em áreas rurais dos municípios de Arinos, Chapada Gaúcha, Uruana de Minas e Urucuia, no estado de Minas Gerais, cujos casos foram julgados pela Vara Única da Comarca de Arinos entre 2019 e 2023. Trata-se de um estudo documental, de abordagem quantitativa e qualitativa, realizado a partir da análise de processos judiciais envolvendo violência contra meninas, com ênfase nos fluxos de revelação até o encaminhamento ao Judiciário, nos perfis de agressores e vítimas e em condicionantes socioculturais e territoriais. A amostra reuniu 30 processos, contemplando 34 vítimas do sexo feminino, sistematizados em tabelas descritivas (tempo entre revelação e encaminhamento, permanência na situação de violência, justificativas socioculturais, perfil do agressor e perfil da vítima), complementadas por análise temática dos relatos. Verificou-se que 43,3% dos casos chegaram ao Judiciário após mais de 03 (três) meses da revelação e 30% após mais de um ano, sendo que a permanência na situação de violência ultrapassou cinco anos em 30% dos casos. Predominou o agressor masculino (96,9%), pardo, com maior frequência entre 36 e 50 anos, de baixa escolaridade, exercendo ocupações informais e residindo em território rural (96,9%), frequentemente com vínculos de proximidade com as vítimas (pai, padrasto, tio ou avô). Quanto às vítimas, sobressaíram-se meninas de 11 a 14 anos (47,1%), majoritariamente pardas (82,4%), inseridas em famílias de baixa renda (até um salário-mínimo em 61,8%). As justificativas socioculturais registradas nos autos incluem uniões e convivências precoces e tolerância a abusos por figuras de autoridade, embora 70% dos processos não apresentem tais elementos, o que indica que essas questões não são devidamente registradas. Os resultados também evidenciam que o anonimato e o isolamento, característicos do meio rural, contribuem para a vulnerabilidade das vítimas. Conclui-se que a violência contra meninas em áreas rurais é agravada por fatores socioculturais, econômicos e territoriais, exigindo respostas sensíveis, articuladas e efetivas do Poder Judiciário, das instituições e da sociedade, a fim de reduzir danos, assegurar acompanhamento humanizado e mitigar os impactos dessa violência na vida dessas meninas.