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Recent Submissions

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Artrópodes como bioindicadores e produção de massa foliar utilizando-se plantas de Sapindus saponaria e Terminalia argentea no processo de recuperação de área degradada
(UFVJM, 2025) Mota, Marcos Vinicius Souza; Demolin Leite, Germano Leão; Soares, Marcus Alvarenga; Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM); Demolin Leite, Germano Leão; Barbosa, Flávia Silva; Sanglard, Demerson Arruda; Soares, Marcus Alvarenga
A degradação de ecossistemas é uma das principais ameaças à biodiversidade global, tornando a recuperação de áreas degradadas uma prioridade. O êxito desses esforços, especialmente em biomas desafiadores como o Cerrado, depende do restabelecimento da cobertura vegetal, da recomposição de suas funções e interações ecológicas. Nesse contexto, a seleção de espécies-chave e o monitoramento de indicadores biológicos, como as comunidades de artrópodes, são fundamentais para aferir a recuperação funcional. Esta tese teve como objetivo geral avaliar o processo de recuperação de uma área degradada no Cerrado, investigando de forma comparativa como duas espécies arbóreas com estratégias ecológicas distintas, a pioneira Terminalia argentea e a clímax Sapindus saponaria, modulam a produção de biomassa e estruturam as comunidades de artrópodes associadas durante a fase crítica de estabelecimento (dois anos). O plantio foi realizado em uma área degradada em Montes Claros, MG, com adubação de lodo de esgoto para potencializar o estabelecimento das mudas. Foram monitorados mensalmente a produção de biomassa vegetal (folhas e galhos) e quinzenalmente as comunidades de artrópodes (insetos e aranhas), analisando seus índices ecológicos (abundância, riqueza, diversidade) e interações tróficas. Os resultados revelaram estratégias de alocação de recursos marcadamente distintas e complementares. S. saponaria apresentou um aumento contínuo na produção de biomassa no segundo ano, confirmando um padrão de crescimento e acúmulo de recursos. Em contrapartida, T. argentea exibiu uma redução no número de folhas por galho, indicando uma estratégia alocação de recursos voltada ao rápido crescimento vertical em detrimento da manutenção foliar, um ajuste fisiológico característico de sua função sucessional. Para ambas as espécies, o primeiro ano após o plantio foi caracterizado por uma maior abundância e riqueza de herbívoros (ex.: minas de Liriomyza sp. e insetos mastigadores) e seus inimigos naturais (ex.: Oxyopidae), um processo impulsionado pela fertilização inicial com lodo de esgoto e pela provável menor concentração de defesas químicas nas plantas jovens. A Teoria da Biogeografia de Ilhas foi corroborada em ambos os estudos, onde plantas com maior biomassa e complexidade estrutural sustentaram comunidades de artrópodes mais ricas e diversas. As análises também confirmaram a ocorrência de complexas redes de interações, como o mutualismo entre formigas (ex.: Pheidole sp.) e hemípteros sugadores de seiva, que resultou na supressão de outros herbívoros, e a forte correlação entre a abundância de predadores e suas presas, evidenciando a rápida estruturação de cascatas tróficas e a atuação simultânea de controles bottom-up (recursos vegetais) e top-down (predação e mutualismo). Em síntese, este trabalho demonstra que espécies com diferentes estratégias de vida impulsionam a restauração funcional por vias distintas e que o monitoramento da comunidade de artrópodes é uma ferramenta eficaz para diagnosticar a saúde e a complexidade funcional de ecossistemas em recuperação.
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Vozes caladas, vidas marcadas: um estudo sobre a violência contra meninas no meio rural da Comarca de Arinos - MG
(UFVJM, 2025) Santana, Deuseni Aparecida Alves da Costa; Redin, Ezequiel; Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM); Redin, Ezequiel; Lima, Josélia Barroso Queiroz; Botelho, Luana da Silva; Oliveira Filho, Elias Rodrigues de
A pesquisa teve como objetivo investigar a violência contra meninas de 0 a 18 anos em áreas rurais dos municípios de Arinos, Chapada Gaúcha, Uruana de Minas e Urucuia, no estado de Minas Gerais, cujos casos foram julgados pela Vara Única da Comarca de Arinos entre 2019 e 2023. Trata-se de um estudo documental, de abordagem quantitativa e qualitativa, realizado a partir da análise de processos judiciais envolvendo violência contra meninas, com ênfase nos fluxos de revelação até o encaminhamento ao Judiciário, nos perfis de agressores e vítimas e em condicionantes socioculturais e territoriais. A amostra reuniu 30 processos, contemplando 34 vítimas do sexo feminino, sistematizados em tabelas descritivas (tempo entre revelação e encaminhamento, permanência na situação de violência, justificativas socioculturais, perfil do agressor e perfil da vítima), complementadas por análise temática dos relatos. Verificou-se que 43,3% dos casos chegaram ao Judiciário após mais de 03 (três) meses da revelação e 30% após mais de um ano, sendo que a permanência na situação de violência ultrapassou cinco anos em 30% dos casos. Predominou o agressor masculino (96,9%), pardo, com maior frequência entre 36 e 50 anos, de baixa escolaridade, exercendo ocupações informais e residindo em território rural (96,9%), frequentemente com vínculos de proximidade com as vítimas (pai, padrasto, tio ou avô). Quanto às vítimas, sobressaíram-se meninas de 11 a 14 anos (47,1%), majoritariamente pardas (82,4%), inseridas em famílias de baixa renda (até um salário-mínimo em 61,8%). As justificativas socioculturais registradas nos autos incluem uniões e convivências precoces e tolerância a abusos por figuras de autoridade, embora 70% dos processos não apresentem tais elementos, o que indica que essas questões não são devidamente registradas. Os resultados também evidenciam que o anonimato e o isolamento, característicos do meio rural, contribuem para a vulnerabilidade das vítimas. Conclui-se que a violência contra meninas em áreas rurais é agravada por fatores socioculturais, econômicos e territoriais, exigindo respostas sensíveis, articuladas e efetivas do Poder Judiciário, das instituições e da sociedade, a fim de reduzir danos, assegurar acompanhamento humanizado e mitigar os impactos dessa violência na vida dessas meninas.
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Envelhecimento e Atenção Primária à Saúde: análise do perfil, riscos e potencialidades do cuidado na Estratégia de Saúde da Família
(UFVJM, 2025) Silveira, Larissa Raielle Aguiar; Miranda, Lucilene Soares; Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM; Miranda, Lucilene Soares; Guimarães, Fábio Tadeu Lourenço; Dias, Ana Catarina Perez
Esta dissertação teve como propósito analisar o perfil dos idosos atendidos pela Estratégia de Saúde da Família (ESF), por meio de uma revisão sistemática da literatura e analisar o estado nutricional de idosos brasileiros, utilizando dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) referentes ao período de 2020 a 2025 a nível nacional, do estado de Minas Gerais e da cidade de Diamantina-MG. A pesquisa foi desenvolvida com foco na Atenção Primária à Saúde (APS), considerando o acelerado processo de envelhecimento populacional e os desafios crescentes impostos ao sistema de saúde brasileiro. A opção pela revisão de literatura justifica-se pela necessidade de reunir e sistematizar evidências científicas atualizadas, tanto em nível nacional quanto internacional, a fim de compreender os determinantes clínicos, sociais e funcionais que influenciam a saúde dos idosos. Essa abordagem permitiu fundamentar estratégias para um cuidado integral, humanizado e centrado na pessoa idosa, com base em princípios de equidade e promoção da saúde. O estudo insere-se no âmbito do Mestrado Profissional Ensino em Saúde (EnSa), com o propósito de contribuir não apenas para a produção de conhecimento científico, mas também para a qualificação das práticas profissionais e o fortalecimento de políticas públicas locais voltadas à população idosa. Espera-se que os resultados possam subsidiar gestores e profissionais de saúde no planejamento e na implementação de ações voltadas à promoção do envelhecimento saudável, reafirmando o papel estratégico da Atenção Primária à Saúde como coordenadora do cuidado e promotora da qualidade de vida na velhice.
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Percepções sobre porta de entrada para os serviços de saúde do SUS a partir de um Pronto-Socorro
(UFVJM, 2025) Oliveira, Kalline Cleire de; Pires, Ivy Scorzi Cazelli; Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM); Pires, Ivy Scorzi Cazelli; Guimarães, Fábio Tadeu Lourenço; Barbosa, Henrique Andrade
Esse estudo teve como finalidade compreender as percepções dos envolvidos diretamente no fenômeno comportamental que é a busca inapropriada pelo serviço de urgência e emergência hospitalar. Por meio de uma abordagem qualitativa pautada no Interacionismo Simbólico as percepções foram apreendidas e correlacionadas permitindo a observação de significados gerados a partir de vivências individuais e coletivas. O estudo foi realizado com usuários que procuraram o Pronto-Socorro de um hospital de médio porte no Norte de Minas Gerais, e após triagem, foram classificados como não ou pouco urgentes. Participaram ainda os profissionais que atuam nesse Pronto-Socorro e que em sua dinâmica laboral lidam com essa demanda. Optou-se pela busca da compreensão da percepção considerando o contexto de estratégias organizacionais nas três esferas de gestão (União, Estado e Município) que não foram suficientes para sanar essa inversão na logística de busca e acesso aos serviços de saúde. Essa abordagem permitiu apontar os mecanismos de construção de significado para usuários e, portanto, pode subsidiar ações de letramento em saúde. Evidenciou ainda a necessidade de experiencias positivas na Atenção Primária a Saúde para adoção desta como porta de entrada para os serviços de saúde através do direcionamento dentro da Rede de Atenção à Saúde. As percepções dos profissionais apontaram o impacto da busca inicial dos usuários pelo serviço. O aumento da demanda, mau emprego dos recursos desses níveis de atenção (secundário/terciário), o desgaste físico e mental e o prejuízo na qualidade da assistência e priorização de casos graves foram evidenciados. Este estudo é inserido no âmbito do Mestrado Profissional Ensino em Saúde, com o propósito de vir a ser ferramenta de gestão, pois o fenômeno se torna passivo de mudança quando reconhecido em todas as suas nuances. Compreende-se que a o usuário deve ter acesso aos recursos necessários às suas demandas, e promover a orientação à adequada utilização dos serviços de saúde de acordo com seus níveis de hierarquização auxilia na melhor utilização e emprego dos recursos de saúde. Espera-se que esse estudo sirva de base para estratégias de gestão e de fortalecimento tanto para Atenção Primária como para a Rede de Atenção à Saúde na promoção do cuidado integral e longitudinal, a fim de garantir o cumprimento dos princípios Sistema Único de Saúde, dando ênfase aos organizativos.
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Restauração ecológica de áreas degradadas pela extração de rocha ornamental
(UFVJM, 2025) Anjos, Thalia dos; Pereira, Israel Marinho; Farnezi, Múcio Mágno de Melo; Negreiros, Daniel; Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM); Pereira, Israel Marinho; Farnezi, Múcio Mágno de Melo; Azevedo, Maria Luiza de; Assis, Igor Rodrigues de; Kenedy Siqueira, Walisson
A região da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, em Minas Gerais, tem sido alvo da extração de rochas ornamentais. Nesta região, predominam os campos rupestres (CR), ecossistemas com peculiaridades edafoclimáticas e flora rica com muitas espécies endêmicas e ameaçadas. As modificações, devido à mineração, resultam na perda de solos e de biodiversidade, alterando a composição de espécies e reduzindo a flora, o que torna urgentes as ações de restauração ecológica (RE). No entanto, a restauração desses ecossistemas tem sido um desafio, pois não há técnicas consagradas a serem utilizadas. Logo, esse estudo teve como objetivo avaliar o status de uma área de campo rupestre quartzítico degradada pela mineração de rocha ornamental após nove anos do início da restauração ecológica com base nas variáveis químicas e físicas do solo e na composição, estrutura, riqueza e diversidade da vegetação tendo como referência uma área conservada adjacente considerada como ecossistema de referência. Para tal, foram estudadas três áreas de CR, sendo uma degradada pela mineração e que se encontra em processo de RE, uma área conservada considerada como ecossistema de referência (ER) e outra área de referência II recém-degradada (AD). Em cada área, foram estabelecidas 10 unidades amostrais para a coleta de dados sobre os atributos químicos e físicos do tecnossolo, bem como sobre dados da vegetação, como potenciais indicadores no ER e no RE. A área em RE apresentou um solo com características significativamente inferiores às obtidas para o ER, porém com semelhanças com AD. Na área em RE foram registrados maior riqueza, diversidade e abundância do que no ER, com 106 espécies, 62 gêneros (+7 morfoespécies) e 27 famílias. Já no ER, foram encontradas 74 espécies, 53 gêneros (+3 morfoespécies) e 23 famílias, além de 10 morfoespécies, sendo sete exclusivas ao RE e três de ER. As famílias Poaceae, Melastomataceae e Asteraceae tiveram maior contribuição na área de RE (≈ 51% das espécies no RE), enquanto as famílias Poaceae, Asteraceae, Vochysiaceae, Melastomataceae e Velloziaceae foram as que apresentaram o maior número de plantas no ER (≈ 47% das espécies no ER). A área ainda apresenta baixa similaridade florística com o ecossistema de referência (≈ 30%). Portanto, o período de nove anos de restauração ainda não foi suficiente para a recomposição das propriedades edáficas do substrato, porém o ambiente em RE apresenta composição e dinâmica florística própria.