Como as feiras livres podem transformar sistemas alimentares e fortalecer territórios?
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UFVJM
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As feiras livres são espaços de comercialização de produtos da agricultura familiar, promovendo cultura, identidade regional e geração de renda. Na cidade de Araçuaí (Minas Gerais), no Vale do Jequitinhonha, a feira livre desempenha um papel econômico e social de destaque, fortalecendo cadeias curtas de abastecimento ao conectar produtores e consumidores com o mínimo de intermediários. Este estudo analisou a dinâmica da feira de Araçuaí, considerando a atuação dos agricultores convencionais, a oferta de alimentos, a valorização dos produtos locais e as cadeias produtivas, por meio da investigação da origem e sazonalidade dos produtos, dos incentivos recebidos pelos feirantes e da comparação entre cadeias curtas e convencionais. A metodologia adotada combina análises qualitativas e quantitativas, incluindo revisão bibliográfica, observação participante, questionários aplicados aos feirantes e entrevistas, com suporte do software NVivo® na análise de dados. Os resultados indicam que a feira de Araçuaí é uma das mais movimentadas da região, especialmente aos sábados. O perfil dos feirantes é majoritariamente de agricultores familiares adultos residentes na zona rural – apenas um dos 16 entrevistados tinha menos de 25 anos, evidenciando a baixa presença de jovens. Em geral, os feirantes comercializam a própria produção (15 de 16 produtores), garantindo alimentos frescos e fortalecendo a agricultura familiar local; apenas um depende de distribuidores externos, sinalizando fragilidades na produção local contínua. As estratégias de comercialização variam entre especialização e diversificação de produtos conforme a sazonalidade e a demanda: cinco feirantes mantêm oferta fixa ao longo do ano, enquanto onze diversificam os itens comercializados. Predomina a venda direta pelo próprio produtor, 15 dos 16 não repassam a terceiros, o que fortalece a confiança entre produtores e consumidores e promove transparência e sustentabilidade. Contudo, persistem desafios estruturais, como infraestrutura precária, falta de incentivos públicos (somente três feirantes recebem apoio municipal na forma de barracas) e concorrência de redes de abastecimento convencionais, dificultando a permanência dos pequenos agricultores no mercado. Além de espaço comercial, a feira preserva práticas alimentares tradicionais e reforça laços comunitários. Conclui-se que feiras livres como a de Araçuaí são fundamentais para a economia local e a sustentabilidade alimentar, reduzindo impactos ambientais e valorizando produtos regionais. Para fortalecer esse modelo, são necessárias políticas públicas que incentivem a agricultura familiar, melhorem a infraestrutura e ampliem as redes de comercialização.
Description
Agências financiadoras:
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) - Bolsa de Mestrado, integrante do projeto Rede Semiárido Mineiro; Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) - PRPPG, Programa de Apoio à Participação em Eventos Técnico-Científicos (PROAPP).
O trabalho não foi normalizado conforme o Manual de Normalização.
O trabalho não foi normalizado conforme o Manual de Normalização.
Citation
QUARESMA, Larissa Bianca de Souza. Como as feiras livres podem transformar sistemas alimentares e fortalecer territórios?. 2025. 195 p. Dissertação (Mestrado em Estudos Rurais) – Programa de Pós-Graduação em Estudos Rurais, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Diamantina, 2025.
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